Publicado: 06/10/2016
A palavra parece difícil, no entanto, sua especificação revela de maneira exorbitante, a facilidade com que a encontramos nas Escolas. O bullying é o nome dado para denominar certas condutas de crianças, jovens ou adultos entre si, dentro de seus universos acadêmicos, com comportamentos de marginalização e crueldade, que extrapolam todos os limites de respeito pelo outro.
As brincadeiras acontecem de forma natural e espontânea entre os alunos. Eles brincam, colocam apelidos uns nos outros, dão muitas risadas e se divertem. Porém, quando as brincadeiras são realizadas repletas de “segundas intenções” e de perversidade, elas se tornam verdadeiros atos de violência (física ou emocional), que ultrapassam os limites suportáveis de qualquer um.
As situações de descontração ou brincadeiras em que todos os indivíduos participam, sendo capazes de se distraírem, provavelmente, estamos diante de uma ação saudável. Porém, quando apenas alguns se divertem à custa de outros que sofrem, isso ganha outra conotação - são agressões intencionais e repetitivas contra um ou mais alunos: o bullying.
Esta leitura pode fazer-lhe refletir sobre si mesmo, tente concentrar-se nas suas lembranças escolares, cenas vividas podem aflorar em seu pensamento. Tente lembrar-se das brincadeiras saudáveis, assim como, das “falsas” brincadeiras. Lembre-se das ações que aconteceram, carregadas de maldade, preconceito e agressividade, que de forma muito cruel, puderam talvez, ridicularizar você ou alguém que estivesse próximo a você.
Essa versatilidade de ações aterrorizantes, contribui não somente para a exclusão social, mas também, para evasão escolar. São atitudes como: ofensas, gozações, piadas maldosas, bater, chutar, cuspir, beliscar, roubar, irritar, isolar, desprezar, insinuações sexuais, perseguições, difamações, bilhetes ou desenhos com caricaturas de colegas de caráter ofensivo, etc. Na internet, ou através de imagens de celular, podem-se verificar situações que expõem colegas, são ações que chamamos de Ciberbullying.
Além de os bullies (agressores) escolherem um aluno-alvo que se encontra em franca desigualdade, diferença de poder, geralmente este indivíduo também apresenta uma baixa auto-estima. A prática do bullying agrava o problema preexistente, assim como pode abrir quadros graves de transtornos psíquicos irreversíveis ou de difícil recuperação.
Os pacientes agredidos podem trazer alguma das seguintes queixas: cefaléia, cansaço crônico, insônia, dificuldade de concentração, náuseas, diarréia, boca seca, palpitações, alergias de fundo emocional, crise de asma, sudorese, tremores, sensação de “nó” na garganta, tonturas ou desmaios, calafrios, tensão muscular e formigamentos.
Há alguns transtornos emocionais já identificados como em alguns casos tendo relação com bullying na infância, são eles: Transtorno do Pânico, Fobia Escolar, Fobia Social, Transtorno de Ansiedade Generalizada, Depressão, Anorexia e Bulimia, Transtorno Obsessivo-Compulsivo, e Transtorno do Estresse Pós-Traumático.
As vítimas desse comportamento são tipicamente os alunos que apresentam pouca habilidade de socialização. Em sua maioria, tímidos ou reservados, que não conseguem reagir às agressões e provocações. Geralmente são fisicamente mais frágeis (mas não é regra), podem ser muito magros, ou gordinhos, altos ou baixos, orelhas ou nariz mais destacados, roupas diferenciadas, entre outros.
Os agressores podem ser de ambos os sexos, possuem em sua personalidade traços de desrespeito e maldade e, na maioria das vezes, essas características estão associadas a um perigoso poder de liderança que, em geral, é obtido ou legitimado através da força física, ou persuasão psicológica. Há falta de afeto nas relações a terceiros, o que, possivelmente, na maioria dos casos, são lares desestruturados.
As escolas mais atentas as novas questões que a sociedade apresenta, já estão prontas a buscar auxílio profissional e mudanças nas suas posturas. É preciso que a escola seja consciente de que seu ambiente é a base para as relações interpessoais, e, estas por sua vez, são fundamentalmente necessárias para o equilíbrio na vida adulta.
As atitudes adultas devem ser utilizadas para intervir, evitando as conseqüências mais dramáticas. Deve apropriar-se de diálogo quanto a esta questão, procurar ouvir, olhar e ser sensível para aquele aluno ou filho, que muitas vezes se cala.
O professor deve ser o agente principal desta observação, ao passo que, havendo o reconhecimento da ação do bullying, deve se dirigir ao administrador do estabelecimento de ensino (diretor), uma vez, que este, é responsável pela funcionalidade do interior da instituição. O diretor, como autoridade máxima do núcleo escolar, deve realizar uma sindicância, averiguando o caso e conduzindo a situação de maneira oportuna, orientando professores e funcionários sobre as ações necessárias.
O administrador da instituição, dependendo da situação, tem o direito e o dever de apoiar-se em poderes externos à escola, encaminhando o caso para outras instituições, como o Conselho Tutelar ou órgãos de Proteção à Criança e ao Adolescente. Se for preciso, o encaminhamento dar-se-á de maneira sigilosa e a secretaria ou diretoria da educação deve, caso seja necessário, proteger seu diretor, professor ou funcionário, exigindo do órgão que foi acionado, o pedido de anonimato.
Quando o agressor for o professor, deverá ser apurado os fatos pela direção da escola, e se for confirmada a responsabilidade do profissional, deve aplicar-lhe as penas previstas no regimento da instituição. Se necessário, o caso deverá ser encaminhado a instâncias superiores. Se a instituição não se mostrar capaz de reparar os prejuízos do aluno, seus responsáveis deverão recorrer à justiça.
Se a vítima for o professor, colocando em risco sua integridade física ou reputação pessoal, ele deve procurar imediatamente a direção da escola a que pertence. Se a instituição for omissa, ele deverá por conta própria, se dirigir a uma delegacia de polícia e realizar um boletim de ocorrência.
Não dá para brincarmos de educação, está na hora de fazer valer o patriotismo e lutar por um país mais justo. Isso começa no jardim de infância – no atual ensino infantil e termina nas empresas e instituições formadas por adultos que foram vítimas ou causadores do bullying. Não se cale, você tem o direito de defender sua integridade física e emocional, ninguém fará nada por você se você não liderar-se pela atitude. Lute pela sua felicidade e que faça valer a justiça.