Publicado: 06/10/2016
A ansiedade é um transtorno emocional que se apresenta por sintomas também físicos como: coração acelerado, boca seca, mãos frias, respiração ofegante. Muitos pacientes relatam que parecem ter um “nó na garganta”, ou que há uma sensação de sufocamento. Esses sintomas surgem quando há um estímulo sinalizando que a pessoa deverá se preparar para lidar com ele, ou seja, algo que esteja para acontecer, ou algo que a própria pessoa imagina que possa acontecer.
Muitas crianças apresentam dificuldade para dormir, sono agitado, dificuldade para se concentrar na sala de aula, inquietude motora, alguns pacientes chegam ao consultório com diagnósticos errados, pois nem toda criança que parece apresentar TDAH – transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, realmente pode o ter. Um grande número de crianças com ansiedade patológica são de modo inadequado confundidas com TDAH, pois os sintomas são muito parecidos.
O transtorno de ansiedade é o mais comum dentre os diagnósticos da saúde emocional. O que muita gente não imagina é que ele na maioria das vezes é o ponto de partida para vários outros transtornos.
A hipótese mais aceita dentro dos estudos acerca do transtorno da ansiedade é o resultado da interação genética e estímulos ambientais estressantes. Há muitos casos que o tratamento medicamentoso deve ocorrer junto à psicoterapia, dependendo da gravidade em que se encontram os sintomas e o quanto já esteja prejudicado a qualidade de vida do paciente em sua gravidade. No momento em que a medicação estimula para o resultado desejado, os ansiolíticos são retirados e na maioria das vezes permanece a psicoterapia até que o paciente tenha alta.
A importância da observação dos pais e da escola sobre o comportamento da criança é fundamental. Quando o tratamento tem início nos primeiros sintomas apresentados, apenas com a psicoterapia o paciente consegue reorganizar a estrutura que está desorganizada, tanto do ambiente quanto nos pensamentos inadequados. A prevenção dentro da saúde psicológica é sempre a melhor opção, podendo evitar muitos prejuízos à criança.
Na infância, por exemplo, é muito comum a ansiedade não tratada, evoluir para TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo. Ele é caracterizado por pensamentos recorrentes ou imagens (obsessões) estressantes – por exemplo, a pessoa teme ser contaminada, perder o controle em público, cometer um erro ou se comportar de maneira inadequada, muitas vezes, há um pensamento obsessivo de que se não cumprido alguma ação algo de ruim irá ocorrer. Para fugir disso, o paciente tem a necessidade urgente de realizar certas ações (compulsões) que, em sua fantasia, neutralizarão esses pensamentos intrusivos, por exemplo: lavar as mãos ou os pés incessantemente, executar rituais, fazer verificações constantes (ver se a porta está trancada, por exemplo). Esse transtorno em geral, quando não tratado, leva à depressão, além de ser extremamente desgastante para a criança e sua família.
A questão genética que predispõe uma criança a ansiedade é basicamente algo que não é possível intervir para bloquear o filho dessa “herança” negativa, no entanto, o fator ambiental é sempre o de maior impacto e o que é possível ser melhorado.
Algumas observações para os pais se atentarem a seus filhos é a observação da agenda de atividades da criança, é muito oportuno que a criança desfrute de lazer, tempo livre, brincadeiras que exijam bastante movimento motor como, por exemplo, esconde-esconde, pega – pega, enfim, brincadeiras que estão se extinguindo e dando lugar apenas ao mundo tecnológico. Outro ponto importante é o tempo desprendido a computador, celular e game. Alguns jogos incitam ainda mais a ansiedade. O ideal é limitar tempo e fazer combinações antes de presentear o filho com tais eletrônicos.
O excesso de atividades extracurriculares pode ser prejudicial à criança, muitas vezes eles não estão dispostos para a tarefa escolar porque já estão exaustos de várias outras atividades. Em primeiro lugar é preciso organizar os horários. A criança necessita ter uma rotina estruturada e leve, dando prioridade sempre as atividades escolares. A tarefa escolar necessitar ter horário para ser cumprida, importante que não seja realizada a noite, dê preferencia para tarefas logo ao chegarem da escola e após se alimentarem, depois o tempo fica “livre”.
O exercício físico é de extrema importância para o desenvolvimento da criança, sendo assim, escolha uma categoria, de preferencia o que a criança sinta maior prazer em realizar e então organize os horários de acordo com a proposta do educador físico. Ofereça alguns instrumentos musicais, se houver interesse, escolha um e estimule a musica uma vez por semana. A música é muito importante para auxílio da atenção concentrada e memória.
Sendo assim, imagine que seu filho tenha atividades escolares, tarefas escolares, um esporte, uma aula de música ou língua estrangeira. Só essas atividades já são suficientes para ocupar o período livre da criança, ou seja, não é saudável exceder muito além do que esta proposta se apresenta. A criança deve ser criança! A infância é o período de maior desenvolvimento humano, às vezes os pais ficam tão preocupados em matricular os filhos em várias atividades e se esquecem de que o brincar é a fonte mais rica de desenvolvimento de habilidades para vida adulta. O brincar é saber se colocar no lugar do outro, é saber criar estratégias para convencer o amigo a jogar o jogo que ele propõe, é criar aventuras e fantasias que são fundamentais para a criatividade na vida adulta.
Na vida adulta a inteligência é fundamental, porém, a criatividade é tão fundamental quanto. Ofereça para seu filho a calma de ser criança. Vejo pais correndo com horários de agenda cheios, isso é péssimo. Sem que percebam, os adultos vão de modo inconsciente, favorecendo um ambiente estressante, ansioso e desmedido para as crianças que ainda não são capazes de escolher por conta própria ou de expressarem aos seus pais, na maioria das vezes, que estão cansados. A proposta deste artigo é prevenir ambientes ansiosos para que haja uma evolução na organização da rotina infantil e melhora da qualidade de vida das crianças.