Publicado: 06/10/2016
A possibilidade de alcançar a idade avançada é um fenômeno recente. A vida longeva cria a oportunidade de vivenciar vários papéis parentais e pessoais, enriquecendo a troca interpessoal quando, por exemplo, várias gerações interagem numa grande família e também, quando existe a vivência oportuna entre outros grupos: avós, bisavós, atividades específicas para terceira idade, entre outros.
Mais do que o descobrimento desse papel do envelhecer, também faltam informações quanto à função, ao sentido e ao simbolismo que essa fase representa. Assim, justifica-se o indivíduo sábio, que se submete aos ditames da natureza e consegue passar pelas vicissitudes da vida com a mente tranquila sem ser escravo daquilo que o meio social hipócrita o exige: jovialidade, beleza, fortaleza, qualidades excepcionais, peso ideal pautado nas passarelas fashion week, pele conservada, entre outras mentiras.
Quando há um objetivo, alegria em viver, autoconfiança e gozo pleno de um dia vivido de cada vez, é possível mesmo na velhice, experimentar uma espécie de regressão à mocidade, a sensação de ter vida pela frente. Isso se concretiza no momento em que a morte não tem mais tanta importância e que ocasiões, momentos e o permitir-se a algo novo de novo dão a oportunidade de um encontro muito próximo com sua alma.
A chegada da terceira idade deveria ser marcada por projetos de livre acesso, ou seja, sem hora marcada, sem prazo de entrega, sem atraso para o compromisso agendado. Será que ao aposentar-se a vida pára? Pense na sua vida e imagine sem um único objetivo a cumprir, sem expectativas, sem aprender algo além do que já é de seu conhecimento! É triste.
Não é verdade que viver esperando a morte seja uma característica apenas de alguns idosos, conheço muitos jovens que a esperam ansiosos, por pensarem que são pertencentes de vida vazias, sombrias e sem sentido.
A educação para a longevidade deve ter início desde a infância. É preciso que saibamos que a velhice irá chegar e com ela: as rugas, a lentidão motora e talvez, os lapsos de memória, mas que isso não o torna inferior como pessoa. Saber respeitar o que foi construído ao logo do caminho, fazer com que aqueles a sua volta o respeitem como um ser pensante e capaz de exercer sua dignidade e sua cidadania é simplesmente o verdadeiro sentido da existência: mostrar-se vivo!
O desejo de viver deve habitar todas as fases da vida, talvez se fosse dado mais ênfase a este, a finitude seria algo mais elaborado para espécie humana. Por isso: ame mais, sorria mais, viva mais tranquilo, dê menos importância para as coisas que saem erradas, pense em possibilidades, gere alternativas e lembre-se que hoje pode ser o último dia, sendo assim, deve ser intenso, honesto e repleto de bons sentimentos.
A longevidade, sem estrutura ou objetivo, sem educação para que se possa alcançá-la com exatidão, pode acarretar mais riscos à qualidade de vida do que promover ganhos. As campanhas recentes que abordam o tema: viver mais - deveriam estar mais embasadas na promoção não apenas da saúde física, mas também da saúde emocional, que se justifica fundamentalmente necessária para uma sociedade mais sã.